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Artigo: Retrospective reports of coercive control food parenting practices during childhood are related to eating behaviors in adulthood: A latent profile analysis

  • Foto do escritor: Jennifer Eissmann
    Jennifer Eissmann
  • 12 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Nesta semana eu li um artigo muito interessante e fresquinho, recém publicado na revista Appetite, da Elsevier. Ele correlaciona o comportamento alimentar de adultos com a forma com que os pais deles conduzam a alimentação quando crianças. Todo mundo sabe que as crianças aprendem a comer dentro de casa e que isso molda como eles vão comer no futuro, quando adolescentes e adultos. Essa informação surpreende um total de zero pessoas. O interessante dessa pesquisa é que ela trás que a exposição a práticas alimentares caracterizadas por “pressão e recompensa alimentar” e “controle infantil” tem sido associada a um maior consumo de lanches doces e salgados na idade adulta. E é isso que ela quer verificar.


Através de perguntas como “Meus pais me ofereceram doces (balas, sorvetes, bolos, pastéis) como recompensa por bom comportamento”, “Meus pais achavam que se eles não orientassem ou regulassem minha alimentação, eu comeria muita comida lixo” e “Meus pais me incentivam a comer menos para não engordar” eles estimaram perfis parentas de alimentação. Para tal, usaram os domínios regulação emocional, pressão para comer, restrição para controle de peso, restrição para saúde e uso de comida como recompensa, resultando em três perfis parentais.


Eles chamaram o perfil de 1 baixo controle: adultos que vivenciaram baixos níveis de práticas alimentares coercitivas e controladoras quando crianças. O perfil 2 de controle moderado com restrição de saúde: níveis médios de práticas parentais de controle coercitivo em relação à alimentação quando crianças, mas tinha bastante restrição por motivos de saúde. Aquela coisa do “não pode nunca na vida comer salgadinho porque é lixo”. E, finalmente, o perfil 3, 3 alto controle: adultos que vivenciaram muita coerção e restrição de alimentação quando crianças.

Como resultado, eles viram que, enquanto crianças, os adultos que relataram que seus pais tinham o perfil 3, mais restritivo, tiveram mais restrição de alimentos, sofriam mais pressão para comer e para controle de peso e usavam mais a comida como regulador emocional e recompensa. Já o perfil 1, menos restritivo, sofria menos na hora das refeições quando crianças.



Então os cientistas pegaram essas práticas parentais que os adultos tiveram enquanto crianças e correlacionaram com o comportamento alimentar atual. Os resultados estão no gráfico abaixo. O perfil 3, o mais restritivo, teve menor alimentação intuitiva, maior comer emocional e restrição de alimentos e ingestão mais alta de alimentos doces e salgados. Já os participantes do perfil 1 e 2 não diferiram significativamente entre si em alimentação intuitiva e preferencia por doces e salgados, mantendo as médias baixas. Agora repara no gráfico, como o verde e roxo (perfis 1 e 2, menos restritivos) tem médias menores nos domínios, enquanto o laranja (perfil 3, mais restritivo) dispara em quase todos.



Agora, o que isso significa na prática, para nós, os adultos?


Significa que, se você restringe muito a sua alimentação hoje e vive de dietas e suplementos, se você usa a comida como regulador emocional ou só come coisas mega doces ou salgadas e acha o resto das comidas sem graça, pode ser que você tenha sofrido muita pressão para comer enquanto criança. Isso nos aponta um caminho, o de que precisamos quebrar algumas crenças alimentares e flexibilizar alguns pensamentos.


E assim vai-se individualizando o tratamento de acordo com a realidade da paciente.

 
 
 

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